04 abril 2010

Barrabás: O ego histórico do homem caído

No domingo da ressurreição celebramos o momento histórico que marca uma nova era. Sim, a era do Cristo ressurreto. O filho de Deus vencera a morte e agora estava novamente entre os viventes em forma glorificada; cheio de esplendor e autoridade.

Nessa manhã, quando rememoramos esse fato: a ressurreição, eu quero meditar sobre o dia anterior. A ressurreição é o coroamento de uma seqüência de fatos que começaram naquela sexta feira amarga, dolorosa, cruel e sombria. A ressurreição passa por um julgamento injusto, viciado, que desonra em tudo a prática do direito romano, usado ainda hoje como base para estudo dos ordenamentos jurídicos de todo o mundo.

Vemos que o impasse desse julgamento levou os líderes romanos a consultar o povo sobre quem deveria ser solto na oportunidade festiva. Era tradição, e isso com certeza traria mais apoio político para aqueles governadores Romanos. Lemos a seguir o texto no evangelho de Lucas que fala sobre isso: Vejamos:

Lucas 23:13-25

13

¶ E, convocando Pilatos os principais dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo,

14

Disse-lhes: Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem.

15

Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte.

16

Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei.

17

E era-lhe necessário soltar-lhes um pela festa.

18

Mas toda a multidão clamou a uma, dizendo: Fora daqui com este, e solta-nos Barrabás.

19

O qual fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicídio.

20

Falou, pois, outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus.

21

Mas eles clamavam em contrário, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o.

22

Então ele, pela terceira vez, lhes disse: Mas que mal fez este? Não acho nele culpa alguma de morte. Castigá-lo-ei pois, e soltá-lo-ei.

23

Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, e os dos principais dos sacerdotes, redobravam.

24

Então Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam.

25

E soltou-lhes o que fora lançado na prisão por uma sedição e homicídio, que era o que pediam; mas entregou Jesus à vontade deles.

Barrabás era o nome de um jovem revoltado com sua sociedade e sua condição de estar subjulgado ao poder romano. Barrabas com certeza conhecia as injustiças cometidas contra seu povo e havia decidido fazer alguma coisa para resolver isso. Barrabás pertencia, quase por certo, aos Zelotes e era membro dos Sicários, os guerrilheiros que pretendiam expulsar a ocupação Romana.

O texto diz que ele estava preso por uma sedição (Motim, revolta) e por um homicídio. A pena para esses crimes era a morte. Geralmente os revoltosos de uma sociedade precisam encontrar formas de custear suas revoltas. Em outros momentos o texto bíblico chama Barrabas de salteador (João 18:40), o que reafirma sua condição de rebelde.

Sua rebeldia encontrava um apoio ideológico na libertação de um povo. Lembre-se que para muitos ele não era um bandido mas um libertador.

Foi observado no século III pelo apologista chamado Orígenes que, em alguns manuscritos, aparece assim a interrogação de Pilatos à multidão:

- Quem quereis que vos solte ? Jesus Barrabás ou Jesus a quem chamam o Messias ?

Veja que os ideais desse homem com certeza seduziam a mente das massas oprimidas pelo Império Romano.

Por outro lado temos Jesus, o filho de Deus, pregando paz, amor ao próximo, tolerância as leis romanas e falando de um reino que não é terreno. Nesta situação era normal que o povo pedisse a libertação de Barrabás e a condenação de Jesus. Era uma questão de lógica.

Fizemos esse retrato mental dessa situação para falar de uma linda verdade espiritual representada nesse texto. O nome barrabas é uma palavra que advem do aramaico, transliterada para o grego, que significa Filho do Pai. Sim, barrabas representava ali todos os filhos de pais naturais. De certa forma ali estava representada os filhos de Adão envoltos no pecado, na contravenção moral, ética e até legal. Você pode dizer, mas eu nunca matei, nunca adulterei....bem, a biblia deixa claro que basta intencionarmos a fazer tais coisas que para Deus é como se já tivéssemos feito. Ali estava o Jesus barrabas... Sim, o libertador de outros na força do braço, na força da auto-ajuda, na força do dinheiro. Ali estava barrabas, o filho do pai natural, que decidiu resolver por conta própria seu destino e sua vida. Ali estava barrabas condenado por si mesmo, e condenado a morte. Ali estavam os filhos de adão mortos em seus próprios pecados.

Ora, mas também ali estava, logo ao lado, o Jesus filho de Deus. Puro, santo, sem pecado, com sede e fome por justiça, obediente a Deus e guardador da palavra de Deus em sua própria carne. Ali estava o filho de Deus....olhando e ouvindo o povo pedir que soltassem o filho do Pai..barrabas.

Meus irmãos, nesse momento acontece um dos momentos mais impressionantes em relação a nossa salvação, pois o que estava condenado por justa causa, agora é liberto, e no mesmo instante o que era sem culpa, assume seu lugar e paga o preço da condenação. Sai o filho do Pai natural, entra o filho de Deus. Sai o injusto da condenação e o justo, puro, santo, é condenado. O homicida é liberto e aquele que havia até mesmo dado vida novamente a mortos assume seu lugar de réu culpado.

Essa é a lógica do sacrifício de Cristo. Deus mesmo decide resolver as mazelas do pecado. Assume o papel de rendentor do povo eleito. Entra na história do homem, como homem, e paga o preço para que os filhos de pais carnais agora fossem chamados de filhos de Deus.

Nessa manhã de domingo, lembramos do momento em que o justo, morto pelos injustos, ressurge da morte e sela de uma vez pro todas o Reino de Deus no coração dos filhos de Deus. Hoje, por causa do Jesus filho de Deus, não somos mais apenas filho de um pai natural, carnal, pecaminoso. Temos a honra e sermos chamado junto com ele de Filho de Deus. Temos o privilégio de sermos considerados em Cristo como povo santo, separado pra Deus.

Que nesse domingo nossos coração estejam repletos de gratidão por Cristo Jesus, o filho primogênito e Deus.

Oremos.

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